quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Já pensou...

Nosso comportamento é moldado pelas nossas emoções e sentimentos. A forma como nos sentimos define a maneira como nos comportamos. Assim, em nosso cotidiano sempre reagimos emocionalmente diante das situações. Pensando nisso, devemos refletir qual a função das nossas emoções em nosso dia a dia, será que reagimos da maneira que nos é esperada? Somos criticados pelas nossas reações emocionais?

Fomos ensinados que sentimentos como raiva, medo ou tristeza devem ser suprimidos por serem considerados negativos. Será??? 



Todas as nossas emoções tem uma função e, por isso, não devemos suprimi-las. O medo, por exemplo, é uma reação crucial a nossa sobrevivência nos mantendo alerta para os riscos. Ter medo nos faz ter mais cautela, nos livrando de situações que nos coloquem em risco. Assim como demonstrar tristeza ou frustração diante de um fato, é algo extremamente válido, fazendo com que saibamos o que não nos agrada e de que maneira podemos nos adaptar a tal fato. O problema não é sentir medo, ansiedade, raiva e sim reconhecer estas emoções, aceitá-las, usá-las quando possível e continuar a funcionar apesar delas (Leahy, Tirch & Napolitano, 2013).



O importante é saber lidar com nossas emoções, nos adaptando cada vez mais as situações e dando novos significados a nossas vivências.




Erika Benedetti - Psicóloga

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Resiliência

Resiliência e a sua importância no dia a dia

Na física existe um termo chamado resiliência, ou seja, um material que tem a capacidade de se recuperar ou voltar para o seu estado natural depois de uma deformação. Hoje a psicologia usa o mesmo termo para se referir às pessoas que se recuperam de algum trauma.
Alguns também se referem à resiliência como a capacidade de se antecipar a algum problema ou oportunidade, ou seja, a capacidade de promover as realizações necessárias para alcançar algum propósito, usando três componentes: antecipar, projetar e executar.

Por que algumas pessoas são resilientes e outras não?

Infelizmente, devido ao momento que o nosso país esta passando, nem todos os nossos planos acontecem da forma que planejamos, e com isso muitas pessoas acabam por perder o foco ou desistir dos seus projetos.
Quem tem resiliência entende que esse momento de turbulência não pode ferir ou derrubar, mas sim ajudar a tornar mais forte, e que os acontecimentos são desafios que precisam ser superados, uma verdadeira oportunidade de crescimento e fortalecimento.
As dificuldades são uma oportunidade para exercitar cinco elementos:
  • Proatividade;
  • Positividade;
  • Flexibilidade;
  • Foco;
  • Organização.
Muitas pessoas não são naturalmente resilientes e precisam desenvolver tal habilidade: elas precisam ficar mais fortes a cada situação difícil que passam. Já que todos nós passamos por dificuldades, não há ninguém no mundo que não passe por algum tipo de trauma.
Há pessoas que conseguem superar mais rapidamente as diversidades, as dores e o sofrimento, porém as que têm baixa resiliência são facilmente abaladas por qualquer problema. Elas ficam transtornadas quando enfrentam pequenos obstáculos.
Não há necessidade de ter uma super resiliência, mas se ela esta muito baixa há a necessidade de aumentá-la para ser uma pessoa mais resistente às frustrações, ajudando a relevar os problemas diários.
Isso ajuda a melhorar o bem-estar e a sua qualidade de vida. Com isso, também há a melhora no desempenho em todas as áreas da vida, pessoal e profissional.

Como se tornar mais resiliente?

As pessoas resilientes sabem que a vida não é fácil, e que os desafios sempre aparecem, ou seja, o Sol nasce pra todos, e a tempestade também cai pra todos. Todos os problemas servem de aprendizado, por isso preste atenção em algumas dicas para melhorar a sua resiliência:
  • Seja mais flexível;
  • Tenha mais recursos para enfrentar os problemas;
  • Não fuja do problema, encare-o;
  • Se pergunte o que você pode aprender com essa situação de dificuldade;
  • Peça apoio de uma pessoa ou profissional de sua confiança;
  • Faça sempre aquilo que você gosta;
  • Tenha hábitos saudáveis;
  • Lembre-se de que tudo é passageiro.

O que as pessoas resilientes têm de diferente?

Uma das frases das pessoas relientes é: o problema não é o problema, o problema é a minha atitude diante do problema.
Elas até sentem medo, insegurança, raiva, etc; mas não ficam só nisso, tomam alguma atitude diante da situação, seja ela qual for, pedir ajuda ou pesquisar uma saída. Elas canalizam a sua energia na solução do problema.
Autora: Thaiana F. Brotto - Psicóloga 
https://www.psicologosberrini.com.br/terapia-cognitivo-comportamental/resiliencia/
*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Qual a diferença entre tristeza e depressão?

Alguém já me perguntou o que diferencia a tristeza da depressão. Para além dos momentos de mau humor e das indisposições do dia a dia, existe um transtorno que pode nos predispor a problemas de saúde ou, nos casos mais graves, levar ao suicídio. Quando a tristeza aparece, podemos fazer a seguinte pergunta: “existe um motivo para me sentir triste?” Se a resposta for sim, a tristeza não é doença e até faz bem, pois demonstra que estamos reagindo aos acontecimentos desagradáveis que nos acontecem, ou seja, não estamos apáticos (parados) no tempo. Dificuldades, perdas, separações, carências e eventos podem nos trazer para a nossa existência uma tristeza, porém o estado depressivo não precisa de motivos para sentir tristeza, tais fatos só vêm para aumentar o sofrimento.



Uma segunda pergunta seria: “há quanto tempo estou sentindo tristeza?” Momentos de tristeza fazem parte da vida, porém quando a dor não vai embora e começa a atrapalhar as atividades diárias, como o trabalho, os estudos e os momentos de lazer, de amor é hora de conversar com um terapeuta, ele irá avaliar a necessidade de psicoterapia e de uma avaliação com um psiquiatra. A tristeza que não acaba, mesmo quando os eventos negativos já passaram, pode ser sintoma de depressão.

A psicoterapia é a parte fundamental no tratamento da depressão, pois ajuda a pessoa a entender e lidar melhor com seus sentimentos, medos e desejos, buscar saídas e melhorar sua visão de mundo e de si mesmo. Pode ser necessário também o uso de antidepressivos para repor as substancias que o cérebro não está produzindo bem, o profissional que avalia e prescreve esses medicamentos é o psiquiatra. Hábitos de vida saudáveis e prática de exercícios físicos também ajudam o corpo a produzir naturalmente as substancias que estão em falta. Portanto não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje. Ligue para um profissional de psicologia. Estou te aguardando.

Psicólogo e psicopedagogo: José Amaury de Castro Sousa Junior
http://arcadiapsi.blogspot.com.br/2016/11/qual-diferenca-entre-tristeza-comum-e.html

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Medo

Durante toda a nossa vida o medo aparece em diversos momentos e situações. Na história da humanidade, ele foi e tem sido importante para sobrevivermos e evoluirmos. Atualmente ele ainda exerce essa função, nos fazendo dirigir com cuidado, na dedicação ao estudar para provas, na preparação adequada para uma apresentação e no cuidado que tomamos ao atravessar uma rua, além de diversas outras situações que poderíamos enumerar aqui.

Quando o medo se torna um problema?

Existe uma dosagem de medo adequada, considerada “saudável”. Se temos pouco medo nos descuidamos e o perigo aumenta. E se temos medo em demasia deixamos de fazer as coisas, o que traz enormes prejuízos às diversas áreas de nossa vida (profissional, social, e/ou conjugal).
Quando o medo é demasiado ou irracional ele pode se transformar no que chamamos de transtorno ansioso. A ansiedade e o medo proporcionam uma sensação parecida, porém o primeiro aparece sem que exista realmente um perigo ou ameaça. Pessoas que sofrem com esse medo ou ansiedade acabam tendo comportamentos de evitação, ou seja, evitam entrar em contato com aquilo que lhe causa medo.
Elas desenvolvem uma série de sintomas físicos e psicológicos como:
  • Taquicardia;
  • Falta de ar;
  • Tremores;
  • Sudorese;
  • Tonturas;
  • Grande necessidade de urinar ou evacuar;
  • Nervosismo;
  • Dificuldade de se concentrar;
  • Irritabilidade;
  • Insegurança;
  • Insônia.

O que fazer se o medo começou a atrapalhar minha vida profissional, social ou conjugal?

A terapia comportamental pode ajudar pessoas que sofrem nessas situações, ensinando técnicas que serão aplicadas nas sessões ou em casa, e que buscam como resultado a diminuição dos sintomas físicos e psíquicos. E com isso possibilitando com que a pessoa volte a desempenhar suas atividades com tranquilidade e sem temor.
Autora: Ingrid Machado (Psicóloga CRP 06/98165)
Fonte: https://www.psicologosberrini.com.br/psicologo-panico-medo-e-fobia/medo/
*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Psicoterapia eu? Não sou louco!

Imagine uma sala escura que você não conhece e vai entrar pela primeira vez, o papel do psicoterapeuta é acender a luz, com a claridade você poderá ver o que tem na sala e decidir o que quer fazer com isso, onde quer sentar, se quer mudar algo de lugar, se vai trocar a  mobília ou a cor das paredes, etc... Algumas pessoas acreditam erroneamente, que o psicoterapeuta esta lá para dizer o que você deve fazer com sua vida e por isso não o procuram. 

A palavra PSICOTERAPIA vem de therapia- que significa tratar, cuidar e psic.(o) que se refere a mente, portanto, psicoterapia é um processo de busca de conhecimento e desenvolvimento pessoal e principalmente de ajuda. PSICOTERAPIA não é magia, o psicólogo não tem uma varinha de condão que vai alivia-lo de todos os seus males ou resolver todos as suas dificuldades. A psicologia é uma ciência e uma profissão que tem como objeto de estudo o comportamento humano. O que basicamente orienta o psicólogo não é sua forma pessoal de compreender o mundo, o psicólogo não é um professor da vida, é um profissional treinado e habilitado para conduzi-lo nesse difícil processo de AUTOCONHECIMENTO. 
O papel do psicoterapeuta é iluminar o caminho para permitir que você faça escolhas , é difícil escolher no escuro. Não é um doutrinador, alguém que vai impor seus valores morais, crenças e verdades próprias. Também não é um juiz que vai decidir entre certo/errado ou dar seu parecer sobre o que pensa a respeito deste ou daquele comportamento. É alguém que fará uma proposta de relação de respeito , aceitando você como  é  em sua completude, com suas particularidades incondicionalmente. Lembre-se aceitar não significa concordar. 
Apesar da similaridade humana, as pessoas são diferentes,  justamente por isso, cada processo de psicoterapia é único, cada pessoa é especialmente diferente em suas necessidades, em seu ritmo, e  em seus potenciais emocionais, físicos e intelectuais .
Psicoterapia è um processo de “mão dupla” é necessário alguém que queira ajudar (psicoterapeuta) e alguém que queira ser ajudado, mas principalmente, esteja disposto a se ajudar. Ninguém ajuda ninguém que não queira ser ajudado, já dizia  meu avô. 
Quem são os Psicoterapeutas? São os profissionais da área da saúde (Médicos-Psiquiatras e Psicólogos) que se especializam no tratamento clínico. É importante que você escolha alguém com quem você tenha um mínimo de empatia, que seja de sua confiança, ou indicado por alguém em quem confie, além é claro, de ser um profissional preparado  para essa função.
Porque as pessoas fazem psicoterapia? O ser humano é resultado de sua historia, nascemos com potenciais de saúde (características herdadas) e necessitamos de provisão externa para nos desenvolver. Somos influenciados e influenciamos todo o tempo. Nascemos totalmente espontâneos e criativos e somos moldados, para vivermos socialmente, podados de forma mais ou menos severa, dependendo da visão de mundo e principalmente da saúde interna de nossos educadores. 
Recebemos modelos sociais todo o tempo, os mais fortes geralmente são os que surgem de nossas primeiras experiências de vida e de vivenciar a sociedade, que acontece  através de nossos pais, ou daqueles que fazem esse papel. Você já parou para pensar que toda família tem um código particular? Você já presenciou uma troca de olhares entre dois irmãos que só eles entendem, sem precisarem dizer uma só palavra? Ou regras do tipo : quem se serve primeiro no jantar, as crianças ou  os pais?, os da casa ou as visitas? ou aquela regra que ninguém nunca falou mas que todos na casa sabem?, pois é, isto é família, é código, são  alguns dos parâmetros que usamos para nos relacionar com o mundo, consciente e inconscientemente. 
Algumas das dificuldades surgem, quando pensamos que todos são iguais, como se todos fossemos da mesma família, com as  mesmas regras e hierarquias.
Lembro-me que certa vez, uma cliente chegou muito nervosa para consulta, por conta de uma pequena briga com o namorado, que havia desencadeado uma certa “crise” na relação. Ela explicou que havia participado do famoso -e sagrado, para aquela família- ”almoço de domingo” na casa dele. Com a mesa posta, a família levantou-se e começou a se servir naturalmente. Ela dizia, ...”considerei uma tremenda falta de educação, parecia que ninguém estava preocupado comigo!”... nem se preocuparam em deixar que eu me servisse primeiro, afinal de contas eu era a visita!... e veja só... o meu namorado, sem entender minha revolta, dizia ...”o nosso objetivo era te deixar a vontade... é horrível quando alguém te trata como visita!” . 
Este é apenas um dos inúmeros exemplos que encontramos em nosso dia a dia onde esperamos que os outros tenham a mesma atitude que teríamos nesta ou naquela situação, e que tirem as mesmas conclusões, que tiraríamos dos comportamentos. Neste caso, destacando apenas superficialmente a questão, ser especial para ele era fazer parte da família e para ela, ser especial era ser considerada visita. É claro que existiam outras questões em jogo como sua auto-estima baixa, e sua tendência a dar mais valor ao que não teve, neste exemplo ela não havia se dado conta, que tinha sido convidada para o “sagrado almoço familiar”.  
O processo de psicoterapia faz também este trabalho de “pesquisa” e revela esses códigos, nossa forma de nos relacionar, nossas expectativas e desejos, ajudando a traze-los para a consciência, e uma vez conscientes, podemos enfim decidir o que fazer com eles, quais alterar e quais preservar.
Nós somos seres sociais, vivemos em relação todo o tempo necessitamos do outro para crescer e nos desenvolver fisicamente (nos primeiros anos de vida)  e psicologicamente (durante nossa vida toda).
Somos  o resultado de nossas características hereditárias e  nosso potencial de saúde acrescido das influencias que recebemos resultantes das crenças e dos valores morais de nossos pais/educadores.
Nascemos totalmente espontâneos e criativos e temos o potencial para nos relacionarmos afetivamente e intimamente, mas dependemos do aprendizado. As vivências que temos durante nosso desenvolvimento emocional moldarão  nossa forma de perceber e ver o mundo, e nos darão parâmetros para nos relacionarmos com ele. São dessas experiências que nascem nossa autoestima e nosso sentimento de segurança pessoal. O ser humano é dinâmico e sempre tem a possibilidade de crescimento e transformação, portanto as dificuldades emocionais que adquirimos como resultado de nossa historia de vida podem ser superadas. 
Estamos continuamente aprendendo com nossas relações, todo o tempo. A relação de psicoterapia ,torna-se um novo modelo, uma nova proposta, onde passamos a compreender nossa historia, perceber e entender a nossa responsabilidade naquilo que nos acontece e onde contribuímos, mesmo sem perceber, para nossas dificuldades. 


Por: Sirley R. S. Bittú 
Direitos Autorais deste texto – Dra. Sirley Santos Bittu.
O texto está registrado de acordo com a lei de Direitos autorais.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

As relações afetivas e a Intimidade

O que é ser íntimo de alguém? Temos pessoas com quem convivemos todo o tempo, colegas de trabalho ou mesmo familiares, que pouco sabem de nossas angústias, medos,  desejos e alegrias.
Intimidade é diferente de convivência, conviver não é sinônimo de ser íntimo , apesar de muitos acreditarem nisso. Também é diferente de mistura, de simbiose. Não é possível ser íntimo de alguém se não houver individualidade. Primeiro ser, para depois compartilhar. Não se compartilha o que não se tem.

Nascemos do aconchego do útero materno, da sensação de  segurança que ele nos proporciona. Naturalmente desejamos nos relacionar, somos seres sociais, nascemos carentes de afeto,  atenção e aceitação. O ser humano tem uma demanda de amor, busca amar e ser amado todo o tempo. Nascemos e imediatamente precisamos de afeto para nosso processo de crescimento emocional, da mesma forma que precisamos de cuidados para nos desenvolvermos fisicamente. Recebemos da figura materna o amor incondicional, aquele tão buscado em nossa vida: ser amado pelo que somos, o pacote completo.
E o que isso significa? Significa que buscamos em nossas relações, na maioria das vezes de forma inconsciente, essa sensação primária de plenitude e segurança, refletida em maior grau nas relações de intimidade.
Intimidade é a possibilidade de relação mais próxima que implica em confiança. Confiar significa acreditar que seremos aceitos como somos, mas,  não apenas pelo outro; para isso é preciso confiarmos em nós mesmos, em nossa capacidade de sermos genuínos, percebendo o que temos para oferecer numa relação tranqüila e prazerosa com o mundo. Contudo, é necessário o sentimento de esperança e fé no bom que existe no humano. Confiança se adquire  através das relações e pela forma de relação que se estabelece, é um sentimento delicado e dinâmico, ela é como planta: se não regar morre.
Intimidade também implica em entrega. É uma via de mão dupla, ser íntimo é ser cúmplice, é estar ao lado do outro e não misturado ao outro. Trata-se de uma proposta de relação mais profunda, que implica em envolver-se, doar-se e saber receber o outro, aceitar e aceitar-se, é troca plena é Encontro no sentido Moreniano.
Você pode ser íntimo de um amigo com quem conversa sobre varias coisas e não ser íntimo da pessoa com quem você dorme. Os medos, crenças, e as inseguranças são os grandes responsáveis pelas dificuldades de envolvimento. Algumas pessoas confundem intimidade com submissão , alienação e mistura, outras entendem como fraqueza, falta de individualidade ou demonstração de carência.
Nossa sociedade competitiva, capitalista e violenta torna as pessoas cada vez mais acuadas e descrentes no humano e consequentemente em si próprias. O medo e a competição, faz com que as pessoas se relacionem apenas com parte do outro - àquela que deseja superar –, o que impede que  a relação seja verdadeira. Geralmente quando pergunto: porque não assumir que é uma dificuldade sua? ... a resposta é na maioria das vezes: ...”eu??? falar de dores, limites, angústias... para que? Vou estar só me expondo! Ninguém vai resolver minhas questões!” Em parte é verdade, nossas dificuldades, na grande maioria das vezes  só podem ser resolvidas por nós mesmos, mas nem sempre temos os instrumentos ou conhecemos os caminhos para resolve-las, aí que entra o outro, com sua vivência e experiência de vida.
Já pensou se cada um tivesse que reinventar a escrita e a palavra sozinho, para poder se comunicar???... imaginem.. e se não tivesse ninguém disposto a aprender, só a ensinar??? Quanta perda de tempo!!!
Quando nos relacionamos percebemos que não estamos sós, não somos os únicos a ter dificuldades e sofrimentos, temos a capacidade de aprender com nossos erros e acertos e com os erros e acertos dos outros. Por isso que a relação de intimidade  deve ser cultivada, escolhida a dedo. Faz parte de nosso desenvolvimento emocional aprender a escolher entre as pessoas  de nosso convívio, àquelas que merecem nossa confiança, ou seja trata-se de uma  questão de auto proteção, da capacidade de aprender a cuidar de si mesmo.
Ser íntimo significa compartilhar tudo? Dizer tudo, o que pensa e sente? até os pensamentos? Se pensamentos fossem para ser ouvidos eles aconteceriam em alto e bom som!  
Você deve estar pensando, mas então eu não deveria compartilhar minhas idéias, sentimentos e pensamentos? É claro que sim!, mas escolhendo com quem e o que compartilhar, nem sempre o outro “agüenta” ou está preparado para o que estamos pensando ou desejando.
Aqui retornamos na questão da individualidade. Costumo brincar dizendo que, até dentro do útero materno temos a proteção de ”uma bolsa”, sabiamente colocada pela natureza. Na verdade nascemos concretamente de dentro de outra pessoa, mas não ficamos fisicamente em nenhum momento misturados ao outro, apenas emocionalmente. Talvez seja por isso  que é tão comum a confusão entre capacidade de se envolver intimamente e a mistura relacional.
Segundo a visão de desenvolvimento humano proposto por J.L. Moreno, criador do Psicodrama, a Matriz de Identidade emocional normal se estabelece a partir das relações que o indivíduo faz. Através de nossas vivências caminhamos de um momento de total Indiferenciação com o mundo (nascimento) para uma relação télica e plena onde seja possível trocar de lugar com o outro entendendo suas motivações pelos seus olhos (maturidade emocional), sem com isso, desrespeitar nossas crenças, valores, e individualidade. Moreno chamou o ápice dessa fase de Encontro, onde podemos “novamente”- lembrando nosso nascimento- nos misturar com o outro, sem nos perdermos –porque agora existe um eu delimitado- e sair revitalizados, enriquecidos. Seria o ponto máximo de diferenciação de identidade.
Cada pessoa tem suas motivações, resultado de sua história de vida e sua educação,  somada às suas características inatas. A saúde emocional e mental de cada indivíduo é que determina como cada um vai suprir essas necessidades. Esta saúde interna se desenvolve como resultado de  um processo de maturação do indivíduo, obedece uma seqüência de desenvolvimento humano. Segundo a teoria do desenvolvimento Moreniana.
Para nos envolvermos em qualquer tipo de relação, seja uma relação de amizade, profissional, amorosa ou simplesmente social primeiro temos que conhecer nossa individualidade o que significa um mínimo de noção de nossos desejos, características, medos, dificuldades, gostos, enfim, um pouco de nossa singularidade. Falei em mínimo, porque trata-se de uma busca de AUTOCONHECIMENTO que acontece durante nossa vida. Não acredito que alguém possa esgotar esse processo porque, somos seres dinâmicos estamos aprendendo e consequentemente em transformação todo o tempo, a maturidade enriquece e modifica.
Portanto para que você possa construir uma relação de intimidade com alguém deve estar atento a esse processo de busca de si mesmo,  à sua capacidade para amar e  principalmente, para  sentir-se amado.

Por: Sirley R. S. Bittú

Direitos Autorais deste texto – Dra. Sirley Santos Bittu.
O texto está registrado de acordo com a lei de Direitos autorais.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Poder dos Sonhos

Todos nós sonhamos, uns mais, outros menos. Sonhos bons e sonhos ruins. E muitas vezes procuramos sem sucesso significados para eles.
Segundo a neurologia o sonho faz parte do ciclo normal do sono, tendo relação com período de sono REM – Rapid Eyes Moviment. Mas os sonhos já foram considerados sinais divinos e previsões do futuro pelos antigos egípcios, por exemplo, além de alvo de estudo no comportamento do ser humano desde o século passado.

O poder do sonho
Na psicologia, a teoria mais conhecida a lidar com o sonho é a do Freud (psicanalista). Segundo ele, o sonho seria o cumprimento disfarçado de um desejo reprimido. Muitas vezes não pensamos que outras linhas teóricas trabalhem ou possam trabalhar com sonhos. Porém o sonho é um material importante e pode ser muito trabalhado em terapia, principalmente a comportamental.
Para a psicologia comportamental os sonhos fazem parte de uma classe de comportamentos chamada de ‘encobertos’. Na maioria das vezes os sonhos aparecem de forma metafórica, pois isso favorece a expressão de sentimentos, ideias e fantasias que podem ser difíceis de ser vistos de outra forma.Por causa do sonho se apresentar desta forma que muitas vezes precisamos de ajuda para interpretá-los. É a partir do relato do sonho que o terapeuta aprende mais sobre a subjetividade do seu paciente, buscando interpretar o que o paciente diz e descobrir a ligação entre o sonho e o comportamento apresentado, para então trabalhar em conjunto na melhor solução para o caso.
Autora: Ingrid Machado (Psicóloga CRP 06/98165)
*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Distorções Cognitivas

Você já ouviu falar em distorções cognitivas? O termo pode parecer desconhecido, mas certamente você fez e/ou faz muitas distorções. Distorção cognitiva são formas equivocadas, ou como o próprio nome fala, distorcidas de processar uma informação. São interpretações errôneas dos fatos que ocorrem em nosso dia a dia que geram consequências negativas.


Segundo a Terapia Cognitivo – Comportamental, existem vários tipos de distorções cognitivas como:

1. Catastrofização: o indivíduo pensa que o pior de uma situação sempre irá ocorrer. 
Ex: Se terminar o namoro nunca encontrarei ninguém.
2. Leitura Mental: a pessoa prevê o que o outro está pensando, sem evidências, desconsiderando hipóteses possíveis. 
Ex: Ele não gostou da minha roupa; Acho que ela não gosta de mim.
3. Rotulação: rotular qualquer pessoa ou situação, em vez de rotular a situação ou comportamento específico. 
Ex: Sou incompetente; Todas as pessoas são más.
4. Personalização: o sujeito acredita que todos os eventos negativos só ocorrem com ele, desconsiderando fatores e pessoas envolvidas nos acontecimentos. 
Ex: Meu namoro acabou e a culpa foi minha.
5. Minimização e maximização: minimizar características positivas em pessoas ou situações e maximizar o que é negativo. 
Ex: Eu tirei 10 na prova, mas todo mundo tirou.
6. Vitimização: o indivíduo se considera injustiçado ou não entendido. A culpa dos fatos sempre é do outro, tendo o sujeito dificuldade em assumir sua responsabilidade pelo próprios sentimentos e comportamentos. 
Ex: Trabalho muito e não sou recompensado.

Este são alguns tipos de distorções cognitivas, mas existem uma lista delas. Todos nós fazemos distorções cognitivas em nosso cotidiano, contudo é importante observar quando essas distorções levam a prejuízos importantes na vida do indivíduo. Podendo gerar sofrimento e interferir no comportamento adaptativo do sujeito, tendo como consequência transtornos psíquicos.
Quais dessas distorções você faz?


Erika Benedetti -Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga
Referência: Terapia Cognitivo – Comportamental na Prática Clínica (Paulo Knapp e cols)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A busca do Amor Perfeito

Durante a vida escolhemos nossos amantes e amores, pautados muitas vezes em nosso desejo de resgatar em outro alguém o tão sonhado amor incondicional que se traduz na área da ilusão, como a mais pura e verdadeira forma de amar, o único e verdadeiro amor.

A primeira forma de amor que conhecemos é o amor materno, talvez uma das mais belas formas de amar. Trata-se da total disponibilidade, do amor incondicional. A mãe simplesmente ama seu filho, incluindo suas características boas e ruins, costumo dizer, que a mãe ama o “pacote completo”. Seu amor, muitas vezes supera qualquer frustração e alcança a maior capacidade humana de perdoar que alguém pode sentir.

Lembremos que quando falamos da absoluta disponibilidade materna, nos referimos principalmente, aos primeiros meses de vida onde a  ilusão da total onipotência vivida pelo bebê, é essencial para seu desenvolvimento emocional e tão necessária para  viver a brecha entre a fantasia e a realidade. Neste tempo amor é sinônimo de mistura, complementaridade e plena satisfação narcísea dos próprios desejos, para o bebê o outro existe apenas para ele, está a sua disposição,  respira o ar que ele respira, ele e a mãe são um único ser, não há diferenciação ou limites claros.

O próximo passo para o desenvolvimento emocional é a vivência da frustração, a mãe totalmente disponível vai gradativamente e naturalmente “frustrando” o  bebê na medida em que o bebê já tem condições de lidar com essa frustração. Este movimento materno (ou de quem faz esse papel) é extremamente importante para o bebê começar a diferenciar o que é ele e o que não faz parte dele (mãe) iniciando assim sua “noção” primária de existência.


Usando esse momento do desenvolvimento emocional de todos nós como referência , podemos entender algumas formas de relação que continuam seguindo esse padrão, onde uma das partes por exemplo insiste em não acreditar que pode existir sem o outro, são os amores passionais onde mistura emocional e imaturidade afetiva ainda são entendidos ou traduzidos como amor.

Trazemos dentro de nós uma necessidade nata de completude que se torna preenchida num primeiro momento de nossa existência por esse amor materno.

Muitos adultos em busca desse amor perfeito, muitas vezes se perdem quando acreditam que amor é sinônimo de anulação, quando confundem liberdade com desrespeito, intimidade com invasão, quando usam de chantagem emocional para suprir suas carências; e ainda quando deixam de viver seus outros papéis na vida, mulher, homem,  profissional, filho (a), por exemplo, para “ser” exclusivamente em função do outro.

Algumas pessoas entendem o amor como algo quase mágico que mistura uma certa “santidade /pureza” com a total e plena devoção ao outro, eu diria que estão presas ao mito do amor “uterino”. São relações que muitas vezes exigem um raio-X dos pensamentos e sentimentos, desejam, necessitam dos detalhes sobre os pensamentos e sentimentos do outro, um verdadeiro relatório contínuo e absoluto sem pulos, desvios ou mesmo titubeios sobre tudo que passa em sua mente, é tão impossível racionalmente que geralmente só é confessado entre quatro paredes. Esse tipo de relação traz sofrimento e dor para ambos, parte de um entendimento equivocado onde amor é sinônimo de mistura e individualidade é sinônimo de desamor e traição.

O bebê só agüenta a frustração do afastamento momentâneo que seja da mãe, quando tem dentro de si a segurança e a confiança de que ela não o abandonará e de que ele conseguirá sobreviver sem ela naquele momento.

Portanto, como nosso próprio desenvolvimento emocional nos ensina, o “amor perfeito”, ou melhor dizendo o “amor saudável”, recusa à auto-anulação,  propõe a existência, a individualidade, o  respeito ao outro, a solidariedade, o companheirismo, e a confiança mútua.


Por: Sirley R. S. Bittú
Fonte: http://www.clinicaselfcare.com/artigo.php?id=106&a_busca_do_amor_perfeito.html

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Flexibilidade Emocional: Atitudes coerentes para uma vida saudável

Em primeiro lugar, o que significa ser flexível? Acredite ou não, essa pergunta aparentemente simples é realmente muito difícil de responder. Algumas pessoas são flexíveis quando se trata de mudar planos para as questões do dia a dia como ir a uma festa, com que roupa devo ir, mas caso não possa ir com esta determinada roupa, vou com outra roupa, ou seja, escolhas próprias e decisões suas. Outros têm grande flexibilidade física que lhes permite realizar incríveis proezas atléticas. Sabem perfeitamente utilizar o seu corpo para torna-lo mais flexível e assim por diante. Mas no que diz respeito à alternância de formas de lidar com as suas emoções em diferentes situações? Você é rígido ou flexível em termos emocionais? Você consegue regular as suas emoções até ao ponto de tomar decisões que possam ser aceitáveis e vantajosas para a sua vida?


Um tipo particular de flexibilidade que é de grande interesse para o equilíbrio emocional é a flexibilidade emocional. Em poucas palavras, esta flexibilidade tem a sua base na capacidade das pessoas usarem diferentes estratégias de regulação da emoção, à medida que as circunstâncias vão surgindo. A flexibilidade emocional não deve ser vista como uma mudança de opinião, de valor ou de significado das coisas, mas sim como as possibilidades possam dar sentido de vida em sua mente.
É importante ressaltar que há cada vez mais evidências sugerindo que a flexibilidade com que vamos implementando estratégias de regulação emocional pode ser a chave para a nossa saúde mental. As pessoas que frequentemente usam a aceitação e a reavaliação de seus pensamentos tendem em diferentes situações das suas vidas apresentarem menos problemas emocionais e transtornos psicológicos, comparativamente às pessoas que não são flexíveis na forma como gerem as suas emoções. Em suma, a flexibilidade emocional é um promotor de saúde mental. Quando não estiver conseguindo lhe dar com as flexibilidades emocionais procure um psicólogo clinico para juntos criarem estratégias de convivências das flexibilidades em sua vida.
Escrito por: Psicólogo e biólogo: José Amaury de Castro Sousa Junior - CRP:11/10231
Fonte: http://arcadiapsi.blogspot.com.br/2016/10/flexibilidade-emocional-atitudes.html